5 de mai. de 2015

Conto

Continuidade dos Parques

Júlio Cortázar ( 1914 - 1984 )

Havia começado a ler o romance uns dias antes. Abandonou-o por negócios urgentes, voltou a abri-lo quando regressava de trem à chácara; deixava interessar-se lentamente pela trama, pelo desenho dos personagens. Essa tarde, depois de escrever uma carta ao caseiro e discutir com o mordomo uma questão de uns arrendamentos, voltou ao livro com a tranquilidade do gabinete que dava para o parque dos carvalhos. Esticado na poltrona favorita, de costas para a porta que o teria incomodado com uma irritante possibilidade de intrusões, deixou que sua mão esquerda acariciasse uma e outra vez o veludo verde, e começou a ler os últimos capítulos. Sua memória retinha sem esforço os nomes e as imagens dos protagonistas; a ilusão romanesca ganhou-o quase imediatamente. Gozava do prazer quase perverso de ir descolando-se linha a linha daquilo que o rodeava, e de sentir ao mesmo tempo que sua cabeça descansava comodamente no veludo do alto encosto, que os cigarros continuavam ao alcance da mão, que mais além das janelas dançava o ar do entardecer sob os carvalhos. Palavra a palavra, absorvido pela sórdida disjuntiva dos heróis, deixando-se ir até as imagens que se combinavam e adquiriam cor e movimento, foi testemunha do último encontro na cabana da colina.
Antes entrava a mulher, receosa; agora chegava o amante, com a cara machucada pela chicotada de um galho. Admiravelmente ela fazia estalar o sangue com seus beijos, mas ele recusava as carícias, não tinha vindo para repetir as cerimônias de uma paixão secreta, protegida por um mundo de folhas secas e caminhos furtivos. O punhal se amornava contra seu peito e por baixo gritava a liberdade refugiada. Um diálogo desejante corria pelas páginas como riacho de serpentes e sentia-se que tudo estava decidido desde sempre. Até essas carícias que enredavam o corpo do amante como que querendo retê-lo e dissuadi-lo desenhavam abominavelmente a figura de outro corpo que era necessário destruir. Nada havia sido esquecido: álibis, acasos, possíveis erros. A partir dessa hora cada instante tinha seu emprego minuciosamente atribuído. O duplo repasse, sem dó nem piedade, interrompia-se apenas para que uma mão acariciasse uma bochecha. Começava a anoitecer.
Já sem se olharem, atados rigidamente à tarefa que os esperava, separaram-se na porta da cabana. Ela devia continuar pelo caminho que ia ao norte. Do caminho oposto, ele virou um instante para vê-la correr com o cabelo solto. Correu, por sua vez, apoiando-se nas árvores e nas cercas, até distinguir na bruma do crepúsculo a alameda que levava à casa. Os cachorros não deviam latir e não latiram. O mordomo não estaria a essa hora, e não estava. Subiu os três degraus da varanda e entrou. Do sangue galopando nos seus ouvidos chegavam-lhe as palavras da mulher: primeiro uma sala azul, depois um longo corredor, uma escada acarpetada. No alto, duas portas. Ninguém no primeiro quarto, ninguém no segundo. A porta do salão, e depois o punhal na mão, a luz das janelas, o alto encosto de uma poltrona de veludo verde, a cabeça do homem na poltrona lendo um romance.



Responda as perguntas em folha separada.
1.      Podemos dizer que é um conto de mistério? Por quê?
2.      Que tipo de narrador você identifica na história?
3.      Quais os espaços da narrativa?
4.      Quem são os personagens da história que o leitor lê? O que eles tramavam?
5.      O que representava o punhal para eles?

6.      Esta é uma história dentro da história. Justifique a afirmativa.


Características do conto:

O conto é uma obra de ficção que cria um universo de seres, de fantasia ou acontecimentos. Como todos os textos de ficção, o conto apresenta um narrador, personagens, ponto de vista e enredo.
Classicamente, diz-se que o conto se define pela sua pequena extensão. Mais curto que a novela ou o romance, o conto tem uma estrutura fechada, desenvolve uma história e tem apenas um clímax. Num romance, a trama desdobra-se em conflitos secundários, o que não acontece com o conto. O conto é conciso.

O conto caracteriza-se por ser uma narrativa curta, na qual o espaço e o tempo são reduzidos, como também apresenta poucos personagens.

No conto a trama é linear, objetiva, pois o conto, ao começar, já está quase no fim e é preciso que o leitor "veja" claramente os acontecimentos. Se no romance o espaço/tempo é móvel, no conto a linearidade é a sua forma narrativa por excelência.

Focos narrativos[editar | editar código-fonte]

  1. Primeira pessoa: Personagem principal conta sua história; este narrador limita-se ao saber de si próprio, fala de sua própria vivência. Esta é uma narrativa típica do romance epistolar (século XVIII).
  2. Terceira pessoa: O texto é narrado em 3ª pessoa e neste caso podemos ter:
a) narrador observador: o narrador limita-se a descrever o que está acontecendo, "falando" do exterior, não nos colocando dentro da cabeça da personagem; assim não sabemos suas emoções, ideias, pensamentos; o narrador apenas descreve o que vê, no mais, especula;
b) narrador onisciente: conta a história; o narrador tudo sabe sobre a vida das personagens, sobre seus destinos, ideias, pensamentos; como se narrasse de dentro da cabeça delas.

24 de mar. de 2015

SENATED 2.0 - 2015


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22 de mar. de 2015

O valor da amizade

Amizade é preciosidade

por

 Camilly Cristini
(3o. ano C.E. Visconde de Cairu, 2014) 


Amizade, o que seria de nós, seres humanos, sem amigos ? Eu responderia, nada! Pois o amor, o carinho e o afeto são as principais coisas para que as pessoas possam se dar bem e se respeitar, sejam lá quem forem: brancos, negros, ricos, pobres, homens, mulheres, jovens ou idosos. 

Digamos que existam diversos tipos de amigos: tem o amigo da escola, com o qual passamos a maior parte do tempo juntos e é para quem contamos os acontecimentos do final de semana. Tem o amigo de infância, que, quase sempre, no meio da conversa aparece do nada para nos dar um conselho. Tem a amiga mãe, que quando fazemos besteira, está sempre lá, de braços abertos para nos receber e dizer: eu avisei. Tem a melhor amiga, aquela quase irmã de intimidade cem por cento, que usa suas roupas, chama sua mãe de tia ou até mesmo, de mãe. Tem também, os 300 mil amigos das redes sociais que, às vezes, estão ali por estarem ou são somente amigos das redes sociais.

A questão fundamental é que levarei todas essas amizades dentro do coração, pois o pacto da amizade é como uma experiência de vida: nunca serei feliz sem nenhuma delas.



  


Felizmente, a redação de Camilly fora salva de um HD distante que precisou ser resgatado da Terra do Nunca. Contudo, todo o esforço não fora em vão, o texto de Camilly Cristini resume bem o valor da amizade. Parabéns, Camilly! Continue assim.


6 de fev. de 2015


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Tecnologias Integradas às Práticas Pedagógicas
com as práticas apresentadas no SENATED.


Olá, 

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Tecnologias Integradas às Práticas Pedagógicas: uma prática multimídia + duas com o uso do celular em sala de aula.

Forte abraço
Clarice Menezes

26 de jan. de 2015

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Quarta-feira, 23/11/2011

Língua Portuguesa, Crítica e Tecnologia com Rio: o Filme.

Tags: 3ªcre, artesvisuais, blogsderioeducadores, protagonismojuvenil.



Conheça os Projetos Bairros do Rio e O Filme na Sala de Aula - ambos com crítica da Profª Clarice Menezes - realizados com os alunos do 9º ano da E.M. Francisco Jobim

 

Os projetos começaram a partir do trabalho com o caderno pedagógico de Língua Portuguesa do 9º ano/3º Bimestre. Os textos trabalhados no caderno tinham como tema a cidade do Rio de Janeiro e o filme de animação Rio. 

O projeto iniciou-se com a exibição do filme para os alunos do 9º ano. Logo depois, a profª Clarice propôs uma pesquisa histórica sobre os bairros do Rio de Janeiro. A professora também tem formação em Teoria da Arte e Publicidade o que possibilitou o encaminhamento do projeto para a apresentação em vídeo.


A turma foi dividida em cinco grupos liderados por alunos que tinham conhecimento de um programa para edição de vídeos. Os alunos ficaram empolgados em seguir os passos do cineasta Carlos Saldanha, brasileiro que dirigiu o filme Rio. A pesquisa foi bem abrangente. Os alunos buscaram por músicas, fotos antigas e recentes dos bairros pesquisados. Elaboraram o roteiro dos vídeos e trabalharam com os netbooks do kit da Educopédia para a edição final.

Segundo palavras da Profª Clarice: " Tínhamos a internet em pleno funcionamento na escola, e eu não ia desperdiçar a chance de construir com eles um trabalho digital. No final, deu tudo certo! Os alunos ficaram muito satisfeitos com os resultados e encantados em trabalhar com o que mais gostam: tecnologia e internet. Para mim, foi uma experiência gratificante. Pude orientá-los explorando novos territórios além de aprender e trocar muito com os meus alunos."

O trabalho realizado dá conta da revolução que acontece em nossa sociedade e que está em pleno andamento na educação carioca. Agora confira o vídeo dos alunos sobre o Méier, um dos bairros atendidos pela 3ª CRE e que abriga a E.M. Francisco Jobim.


Projeto o Filme na Sala de Aula


Ainda a partir do filme Rio e das atividades propostas nos cadernos pedagógicos, também foi desenvolvido um trabalho de crítica do filme. Aproveitando que os alunos tiveram acesso a várias produções midiáticas que abordaram e esclareceram questões sobre a obra de Carlos Saldanha, foi possível lançá-los ao desafio de escrever suas próprias críticas sobre o filme.


Eles assistiram a entrevistas, a um making of da animação e leram algumas críticas para familiarizarem-se com o gênero. " Após conversarmos sobre tudo o que vimos, propus aos alunos que redigissem suas próprias críticas e, já que estavam munidos de bastante informação, agora poderiam deixar suas impressões sobre o que fora estudado, desempenhando o papel de críticos de cinema." - conta a profª Clarice.


Nos textos, podemos perceber o interesse dos alunos em analisar o vídeo não só no aspecto gráfico. A temática e a sonografia não passam despercebidos e este cuidado também transpareceu no vídeo produzido pela turma.


Estas e outras atividades da Profª Clarice Menezes estão em seu blog Memória de Trabalho. A abordagem artística está sempre. A postagem mais recente trabalha a produção textual a partir de telas de pintores consagrados ( Contos de Tela). Passe por lá, confira e deixe um comentário.


Gostou da atividade? Fez algo parecido na escola? É professor e tem blog? Procure orepresentante da sua CRE e divulgue. Estamos aguardando seu contato.